7 de dezembro de 2017

Pode isso, Arnaldo?

Acredite se quiser, mas o Ministério Público abriu processo contra o ex-ministro Guido Mantega e a ex-presidente da Petrobras, Graça Foster por eles terem mantido “baixos demais” os preços da gasolina em 2013 e 2014.
Para ressarcir os cofres públicos o MP está pedindo  R$ 20 bilhões a Mantega e Foster. Será que vão pedir devolução para os milhões de motoristas que se beneficiaram dos preços baixos?

24 de novembro de 2017

Tucanadas



“Até o momento  Doria - com aval de Geraldo Alckmin - fez o Estado de São Paulo perder R$ 66 milhões em impostos entre julho e agosto. Em troca, recebeu uma "doação" de R$ 35 milhões em remédios, sendo que metade já chegou imprestável em termos de mercado” (leia-se com prazo de validade vencido).
. Luis Nassif em seu blog

8 de novembro de 2017

Barros quer ferrar os idosos que têm convênio médico



O Brasil tem atualmente 6,2 milhões de pessoas acima de 60 anos  inseridas na medicina de grupo. E pelo Estatuto do Idoso, os convênios médicos são proibidos de reajustar as mensalidade por faixa etária. Mas não há impedimento para subir mensalidades com base na variação de custos. E fazem isso com um apetite impressionante. Em alguns casos os reajustes anuais dos convênios médicos chegam a 100%.
Hoje , uma comissão especial da Câmara deve apreciar um projeto de lei que libera o critério da faixa etária. Ou seja, o velhinho, que já sofre o impacto dos abusivos reajustes anuais por variação de custos, pode passar a receber a segunda pancada, caso esse projeto , que tramita em regime de urgência, seja aprovado pelo Congresso Nacional.
Adivinhe quem é o grande defensor da matéria?  Se você respondeu Ministro da Saúde acertou em cheio. Em entrevista na edição de hoje da Folha de São Paulo, Ricardo Barros assume a bandeira dos planos de saúde, sem qualquer tipo de constrangimento. 

“Os planos de saúde correm riscos antecipados por não poder reajustar  as mensalidades dos conveniados acima dos 60 anos pelo critério da faixa etária”, diz o ministro, ao enfatizar que “o equilíbrio  dos planos tem que ser mantido”.
Se você ler a entrevista inteira, vai ver que em nenhum momento Ricardo Barros vê o lado dos idosos. O foco dele é o do fortalecimento dos convênios de saúde, os conveniados que se explodam. Os riscos só existem para a empresas que pelo jeito vão poder praticar dois aumentos por ano nos planos de saúde dos idosos. Mas como Ricardo é bonzinho, ele deverá centrar fogo naquele seu velho projeto dos planos populares, que reduzem as mensalidade mas com coberturas igualmente reduzidas. Aqueles procedimentos sem coberturas, que joguem na conta do SUS. Isto é, se ainda houver SUS ao final da gestão Barros no Ministério da Saúde.

Se eu tivesse que dar um título ao projeto que tramita na Câmara Federal cravaria: "Projeto Mata o Véio"

31 de outubro de 2017

Retomada do emprego? Aonde?


                                     FERNANDO BRITO (Blog Tijolaço)

No duro caminho para a formalização das relações de trabalho estamos andando para trás.

A “recuperação do emprego” que os jornais anunciam hoje é uma expressão absolutamente imprópria. O emprego não aumentou. O que aumentou foi o “bico”, a “viração”, o “biscate”, o “por conta própria”, segundo análise do próprio IBGE:

"O número de empregados com carteira de trabalho assinada (33,3 milhões) ficou estável frente ao trimestre anterior (abril-maio-junho de 2017). No confronto com o trimestre de julho-agosto-setembro 2016, houve queda de -2,4% (menos 810 mil).
A categoria dos trabalhadores por conta própria (22,9 milhões de pessoas) cresceu 1,8% em relação ao trimestre abril-maio-junho (mais 402 mil pessoas). Em relação ao mesmo período de 2016, houve alta de 4,8% (mais 1,1 milhão de pessoas)".

Ideal para o momento que vai se abrir, com a nova (anti)lei trabalhista, que vai liberar o trabalho “de banco”.
Não, não o de bancário, esta categoria cada vez menor e mais explorada. É o de banco, mesmo: você fica sentado esperando o patrão chamar para trabalhar apenas na hora que ele quer, ganhando um trocado.

A empresas estão “abrindo vagas”, dizem as notícias de hoje. Será o “bico” legal, onde se usa o trabalhador na hora de ganhar mais dinheiro e, em seguida, dá dez-mil réis e manda embora.

20 de outubro de 2017

Torpor e torpeza



“O primeiro significa perder a sensibilidade, a percepção, a falta de vontade para agir e deriva do latim torpere, é quase um estado de transe.
Torpeza, tão parecida, vem de outro latinismo, bem diferente, turpis: desonesto, vil,infame, nojento,  indecente.
O par de palavras talvez baste para definir o que se passa com o povo e as instituições brasileiras e a falta de surpresa com o desfecho previsível da votação da admissibilidade da segunda denúncia contra Michel Temer.
O resultado é o que todos sabiam, com os votos que todos sabiam e a desfaçatez que todos esperavam.
O governo de canalhas, elevado ao poder por um congresso de canalhas, julgando as denúncias produzidas por um bando de canalhas foi preservado, claro, em nome da canalhice geral.
O anormal virou o cotidiano.

Nada mais espanta, nada mais assusta”.

19 de outubro de 2017

Governo e mídia mentem sobre crescimento


A mídia vem usando indicadores irrelevantes para dizer que a economia brasileira está dando sinais de recuperação. Para os professores Leda Paulani (USP) e Márcio Pochmann (Unicamp) houve sim um minúsculo crescimento este ano, mas fruto das boas safras agrícolas e da liberação do FGTS dos inativos, que incrementou o consumo. Mas este é o tipo crescimento voo de galinha. Mesmo assim, o ministro Meireles falou em retomada do crescimento e a imprensa bateu bumbo nessa direção. ”É preciso considerar que diante da maior recessão da História do Brasil, qualquer índice positivo agora é sobre uma base bastante deprimida”.

Não há por parte dos jornalistas econômicos qualquer compromisso ético com a verdade dos números. Eles não falam na  queda da taxa de investimento, no desmonte do parque industrial brasileiro, no crescimento irresponsável dos gastos do governo, que só tem contingenciados as verbas de programas sociais e dos investimentos no futuro do país (caso da ciência e tecnologia) .A professora Leda diz estranhar “ que os especialistas ouvidos pela mídia falem em crescimento de 1% do PIB em 2017. Para que isso aconteça, a economia teria de crescer 2% no terceiro trimestre e outros 2,5% no último trimestre. Onde eles são formados? Ou foram cooptados?”, pergunta.

Na verdade, o que o governo está fazendo com o apoio da mídia corporativa é assombrar a sociedade brasileira para tentar justificar reformas que conduzem o país ao atraso, como a trabalhista e a previdenciária (ainda em andamento no Congresso Nacional). O noticiário distorcido da televisão, por exemplo,  não tem outro objetivo que não o de anestesiar o povo, para que ele não grite  diante da catástrofe do estado mínimo.


17 de outubro de 2017