21 de fevereiro de 2017

Sabatina ou baralho marcado?





               . DeJosias de Souza em seu blog (UOL)


O que assusta na marcha da política rumo à desfaçatez é a sua crueza. Nesta terça-feira, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado realiza uma suposta sabatina com Alexandre de Moraes. Trata-se de um encontro aviltante, constrangedor e desnecessário.
É aviltante porque a bancada de interrogadores inclui senadores que merecem interrogatório. É constrangedor porque as perguntas que o interrogado merece escutar são mais embaraçosas do que as respostas que ele não terá condições de dar. É desnecessário porque o jogo já está jogado.

Nesse tipo de sessão, o cinismo é o mais próximo que os participantes chegam das suas melhores virtudes. Todos sabem que o indicado de Michel Temer à vaga do Supremo Tribunal Federal será aprovado. Mas o sucesso da pantomima está justamente na compenetração com que os atores exibem suas virtudes fingidas.

20 de fevereiro de 2017

Bird critica desmonte do estado social brasileiro



    . Do portal 247
   



O presidente do Banco Mundial (Bird), Jim Yong Kim, criticou o governo de Michel Temer no programa 'Noite Total', da rádio Globo & CBN; ele disse que nunca viu um governo desmontar políticas populares em benefício do povo; "É a primeira vez que vejo um governo destruir o que está dando certo. Nós do Banco Mundial, o G8 e a ONU recomendamos os Programas sociais brasileiros para dezenas de países, tendo em vista os milhões de pobres brasileiros que saíram da extrema pobreza nos governos anteriores a esse", lamentou Jim Yong Kim

17 de fevereiro de 2017

O Brasil sucumbe em TEMERbrosas transações


Os governos Lula e Dilma ainda são acusados de quebrar a Petrobras. Dizem que o problema é a corrupção, mas a corrupção na estatal vem de longe. Não esqueçamos a denúncia feita em 1996 por Paulo Francis  no  programa  Manhattan Connection , da Globo News. A denúncia gerou uma ação indenizatória contra o jornalista que, pressionado pela condenação,  acabou sofrendo um infarto e morrendo.
Por conta do chamado “Petrolão”, uma campanha de desmoralização de uma das maiores empresas mundiais no campo da pesquisa e da extração de petróleo , foi colocada em marcha. Isso pra que? Naturalmente para facilitar o seu desmonte e, pelo fatiamento, sua desnacionalização. “O petróleo é nosso” , dizia-se por ocasião da descoberta de reservas de petróleo na Bahia pelo presidente Getúlio Vargas. “O petróleo é deles”, diz-se agora na era Temer, apesar de todos os investimentos (exitosos, diga-se de passagem) feitos por Lula na pesquisa e depois na exploração do fóssil em águas profundas – o Pre-Sal.
Faço esse preâmbulo para justificar minha indignação ao ouvir hoje de manhã na CBN, o Carlos Alberto Sardenberg fazer uma defesa apaixonada (e descarada) do processo de desnacionalização total de máquinas e equipamentos petrolíferos. Doravante, a Petrobras deverá comprar tudo das indústrias estrangeiras. Isso depois da estatal ter aumentado e muito o conteúdo nacional mínimo na compra de bens e serviços  – foi de 57% em 2003 para 77,34% ao final do governo Lula. As compras da Petrobras no mercado brasileiro saíram  de U$ 5 bilhões para U$ 25,9 bilhões.
O argumento do atual presidente da Petrobras, Pedro Parente, para voltar aos níveis anteriores a 2003 é de que a burocracia encarece demais a produção nacional de equipamentos. Segundo ele, comprando no mercado externo sai mais barato, reduzindo os custos operacionais da estatal.
Quando o presidente Lula lançou o Pre-Sal e decidiu que o governo incentivaria a indústria brasileira de equipamentos para extração , tanto no solo quanto em alto mar, entidades representativas da indústria como a Abimaq bateram palma. Acharam que por aí o Brasil iria crescer, iria desenvolver suas tecnologias, oxigenar a industria naval, com ampliação dos estaleiros existentes e construção de novos empreendimentos na área. Enfim, era mais impostos, mais postos de trabalho. Tudo isso,no entanto está indo pro vinagre com o governo Temer, que aos poucos vai liquidando o Pre-Sal e entregando nossas riquezas para o capital externo, sobretudo para as grandes petrolíferas norte-americanas.
Ora,  se a burocracia encarece o produto, se há dificuldade na certificação dos índices de nacionalidade das peças vendidas à Petrobras, não seria mais sensato reduzir a burocracia e qualificar institutos que possam fazer tais aferições? Ao invés disso, o governo prefere entregar tudo de mão beijada, num crime de lesa-pátria que vai custar muito caro às futuras gerações.
A pergunta que fica é seguinte: aonde este governo ilegítimo e predador do futuro vai levar o nosso país? Não tentemos responder, mas é passada a hora da oposição se encher de coragem e vergonha na cara e puxar esse debate. Já não é sem tempo  a dita sociedade organizada entrar em ação, não apenas contra o desmonte da Petrobras e da indústria nacional, mas contra o desmonte do estado social e sobretudo, contra a transformação do nosso país verdadeiramente numa república de bananas.
Mas na é caso pra desesperar, mas pra refletir, de preferência lembrando Chico, até como forma de  evitar  ” aquela página infeliz da nossa história, passagem desbotada na memória, de nossas novas gerações ,  em que dormia a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações…”


15 de fevereiro de 2017

Se...


O presidente Michel Temer anunciou que afastará todo e qualquer ministro denunciado  ou tornado réu na Lava-Jato. Na fala e na expressão facial de Sua Excelência, ficou muito claro a intenção de aparentar decência e moralidade . Mais ou menos na linha da mulher de Cesar, que  “ tem que parecer honesta”. Mas o discurso não engana, até porque veio recheado de condicionais, tipo ; “se comprovada a denúncia”, “se o ministro for denunciado”. Enfim, “se” pra lá, “se” pra cá.  Temer fala   com a certeza de que ninguém do seu primeiro escalão será denunciado e muito menos tornado réu. O único do núcleo duro que talvez pudesse ser denunciado acaba de ganhar a prerrogativa do fórum privilegiado, inclusive com a confirmação de um ministro do STF. Tá tudo dominado.

12 de fevereiro de 2017

Como a coisa aqui tá feia decidi ir embora. Vou me embora...pro passado:

Não há panelaços e bonecos infláveis para os acusados do governo Temer


         . por Janio de Freitas (Folha de S.Paulo em 12.02.2017)

Agora ficou mais fácil compreender o que se tem passado no Brasil. O poder pós-impeachment compôs-se de sócios-atletas da Lava Jato e, no entanto, não há panelaço para o despejo de Moreira Franco, ou de qualquer outro da facção, como nem sequer houve para Geddel Vieira Lima. Não há panelaços nem bonecos inflados com roupa de presidiário.
Logo, onde não há trabalhador, desempregado, perdedor da moradia adquirida na anulada ascensão, também não há motivo para insatisfações com a natureza imoral do governo. Os que bancaram o impeachment desfrutam a devolução do poder aos seus servidores. Os operadores políticos do impeachment desfrutam do poder, sem se importar com o rodízio forçado, que não afeta a natureza do governo.
Derrubar uma Presidência legítima e uma presidente honesta, para retirar do poder toda aspiração de menor injustiça social e de soberania nacional, tinha como corolário pretendido a entrega do Poder aos que o receberam em maioria, os geddeis e moreiras, os cunhas, os calheiros, os jucás, nos seus diferentes graus e especialidades.
Como disse Aécio Neves a meio da semana, em sua condição de presidente do PSDB e de integrante das duas bandas de beneficiários do impeachment: "Nosso alinhamento com o governo é para o bem ou para o mal". Não faz diferença como o governo é e o que dele seja feito. Se é para o mal, também está cumprindo o papel a que estava destinado pela finalidade complementar da derrubada de uma Presidência legítima e de uma presidente honesta.
Não há panelaço, nem boneco com uniforme de presidiário. Também, não precisa. Terno e gravata não disfarçam.
POLÍTICA, SIM
Se divulgar a delação da Odebrecht, como propõe Rodrigo Janot, pode levar à "destruição de prova útil" –como disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima ao repórter Thiago Herdy–, "de outro lado, há o uso de vazamentos para o jogo político, algo que não nos interessa".
Sem esse interesse, não teria havido os vazamentos. Atos cuja gravidade não se confunde com a liberação particular de informações para jornalista. O inaceitável eticamente nos vazamentos da Lava Jato é a perversa leviandade com que torna públicas, dando-lhes ares de verdades comprovadas, acusações não provadas, em geral nem postas (ainda?) sob verificação.
Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, por exemplo, proporcionou um desses vazamentos: acusou Edinho Silva e outro petista de receberem determinado cheque, relatando até o encontro para a entrega. O então ministro José Eduardo Cardozo localizou e exibiu o cheque de tal pagamento: o destinatário do cheque nominal era um certo Michel Temer. Mas a Lava Jato pusera Edinho Silva, secretário de Comunicação da Presidência de Dilma, nas manchetes e na TV como recebedor do suborno da empreiteira.
Otávio Azevedo e outros ex-dirigentes da Andrade Gutierrez estão chamados a corrigir seus depoimentos, porque a delação da Odebrecht revelou que distorceram ou omitiram. E também foram vazamentos acusatórios. Diz a regra que trapacear nas delações as anula. Não porém para protegidos na Lava Jato, como Otávio Azevedo e Alberto Youssef.
Ficou comprovado que a Lava Jato e mesmo o seu juiz programavam vazamentos nas vésperas dos dias importantes na campanha contra Dilma e Lula. Só por "interesse político" –evidência que ninguém na Lava Jato tem condições honestas de negar."

10 de fevereiro de 2017

Pode estar vindo aí uma nova onda de desmoralização de Lula e Dilma


Segundo denuncia o jornalista Eduardo Guimarães em seu blog, a diretora de jornalismo da  Globo News, Eugênia Moreyra,  deu ordem expressa na redação para a produtora que irá com ela a Brasília na semana que vem cobrir a divulgação das  delações autorizadas pelo ministro Fachin:
“— (…) Fachin vai liberar todos os vídeos das delações [da Odebrecht] de uma só vez. Não dará tempo de decupar [analisar e editar] as imagens… Você vai liderar uma força-tarefa em Brasília. Sua equipe vai assistir a todos os vídeos das delações. Assim que ouvirem “Lula” ou “Dilma”, coloquem no ar, na hora, ao vivo, interrompendo qualquer programa, no Plantão. Depois a gente assiste o resto. Dilma e Lula têm que ser denunciados na frente de qualquer outro delatado”.
Guimarães diz que recebeu a informação de  uma jornalista de prestígio da Globo que, por razões óbvias ele não identifica. No contato feito com o blogueiro ela “ relatou o que chama de “estratégia cruel e desonesta” que diz que será usada pela emissora para criar nova onda de desmoralização dos ex-presidente Lula e Dilma.